segunda-feira, 29 de março de 2010

República, cidade, cidadania e democracia avançada...


Que triste sina a de tantas gerações, acostumadas a encarar a morte
como deplorável consolo para uma existência
em que os prazeres efémeros se pagam com as piores infelicidades.
Mas, ao mesmo tempo, que verdadeiro milagre da natureza humana o facto de,
sob o tédio da sobrevivência e a corrosão dos pensamentos mortíferos,
subsistir ainda um fermento de vida que aspira
a desabrochar na alegria de um mundo enfim reinventado!
Raoul Vaneigem

O ideário republicano assenta na construção de um projecto colectivo que permita a plena liberdade individual e a valorização de uma cidadania forte, crítica, esclarecida, participativa, e responsável. Cidadãos emancipados são o maior garante da democracia. Por isso, a sua mobilização e empenhamento cívico, a todos os níveis, são decisivos a uma República moderna. E esse é um dos mais nobres deveres daqueles que têm responsabilidades políticas: activar e reforçar quotidianamente a capacidade dos cidadãos para construir inauditas possibilidades de vida colectiva, imaginários e sentidos mobilizadores da polis.
Como todos nós, a população, somos os soberanos e detentores do poder político (“O poder político pertence ao povo e é exercido nos termos da Constituição.” Art 108.º), cabe-nos a nós exigir que se cumpra o contrato social estabelecido pela Constituição da República Portuguesa (CRP).



O espectáculo “E agora, que fazemos com isto?”
 
Com este espectáculo, pretendemos transportar, literalmente, um imaginário ligado à exuberância juvenil de jovens sobreviventes e um espaço cívico e cultural regido pela inquietação e o combate pela dignidade, para o palco do Teatro-Cine. A cena será lugar para a crescente irreverência juvenil até ao (limiar) do caos e da destruição, pelo meio as cenas pontuam o espectáculo com ironia e energia genuínas, havendo sempre um lugar central para o imprevisível.
De simples actores passivos e de jovens estigmatizados pelas forças securitárias como marginais, estes adolescentes e jovens adultos metamorfoseiam-se no palco em agentes criativos revolucionários, oferecendo à sua cidade uma outra visão de si mesmo, uma visão crítica e corrosiva, mas cujo imaginário latente nos remete para os valores da republica e dos direitos humanos.
Mais do que um espectáculo encenado para “epater le bourgeois” pretende-se criar uma erupção civil contagiante no seu apelo à “realização da democracia económica, social e cultural e ao aprofundamento da democracia participativa...” (CRP).
Partindo do conceito de heterotopias – espaços outros- (Michel Foucault), este projecto visa reflectir sobre a cidade enquanto representação espacial de uma sociedade, nas suas múltiplas componentes: política, social, cultural,...
Pretende instaurar uma heterotopia de resistência – um espaço por onde circulam pessoas e modos de vida cujo funcionamento difere claramente da ordem vigente – ocupando para isso o lugar central das representações simbólicas da cidade, ou seja, o palco do seu teatro municipal. Esta “okupação” temporária sob a forma de projecto artístico assume-se como um espectáculo anti-espectacular. Uma fissura temporária no espaço-tempo das representações consensuais do imaginário torriense. No palco do Teatro-Cine de Torres Vedras emerge um espaço outro, não um espaço de representação, mas um espaço de presença da humanidade que nos interpela.
Para além desta deslocação entre espaço interiores (sala-teatro), criámos ainda duas acções performativas: um pic-nic numa rotunda habitada apenas por uma escultura (Fernando Conduto) e manobras de skate no novo mercado municipal, fechando assim um circuito que envolve a cidade, e os espaços controlados pelo poder político-simbólico, numa clara afirmação contra a hegemonia e os discursos intimidatórios das formas de poder em vias de extinção...

Viva a República! Viva a Humanidade! Viva a Vitalidade ! Viva a Vida ! Viva viva viva... 


 

Sem comentários:

Enviar um comentário